Câncer de Laringe

O câncer de laringe promove em torno de 3500 mortes por ano no Brasil, sendo a grande maioria das vítimas homens. (Fonte: Instituto Nacional Câncer, 2010). Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking de incidência deste tipo de tumor, perdendo apenas para a Espanha. São dados que impressionam ainda mais por se tratar de um tumor que é muitas vezes diagnosticado em fases iniciais e que é considerado como um dos processos neoplásicos malignos de maior chance de cura: apresenta uma sobrevida média em 5 anos de aproximadamente 66%, que é consideravelmente alta se comparada à sobrevida em 5 anos dos tumores pulmonares que é de apenas 7 a 10%.

O principal fator de risco para o câncer de laringe é o tabagismo. Estudos mostram que a pessoa que fuma, dependendo da quantidade, tem um risco de 5 a 35 vezes maior de desenvolver um câncer de laringe quando comparado a uma pessoa não exposta à fumaça do cigarro. Outro fator de risco importante é a ingestão de bebidas alcóolicas. O álcool atua como promotor ao desenvolvimento do tumor. Um dado importante é que o álcool potencializa o efeito nocivo do cigarro! Ou seja, a combinação do tabagismo com o álcool apresenta um risco multiplicativo (e não somativo) de desenvolver um câncer de laringe.

Para um melhor entendimento dos sintomas do câncer de laringe é necessário uma noção básica da anatomia da laringe. A laringe é dividida em 3 compartimentos: a laringe supraglótica (mais superior), a glote (porção mediana, onde se encontram as pregas vocais) e a subglote (mais inferior). Os tumores laríngeos são mais comuns na região da glote (60% dos casos aproximadamente) seguida da laringe supraglótica (40% dos casos aproximadamente). E os sintomas são diferentes quando pensamos nas estruturas que cada região da laringe aloja. Por exemplo, como as pregas vocais (responsáveis pela produção da voz) estão localizadas na glote, o sintoma inicial do câncer de laringe na glote é a rouquidão persistente e sem causa aparente. Esta rouquidão é diferente daquela causada pelo resfriado comum ou da gripe e diferente também daquela causada após um esforço vocal: a rouquidão é persistente e progressiva (piora com o tempo) e não é acompanhada de sintomas como febre e coriza (corrimento nasal). Por outro lado, o câncer da laringe supraglótica manifesta-se com sintomas como dor de garganta, dor ao engolir ou a sensação de alguma coisa parada na garganta.

Conforme o tumor vai crescendo os tumores da glote invadem a laringe supraglótica e vice-versa. Além disso, o tumor pode se espalhar para o pescoço com o aparecimento das linfonodomegalias, ou seja, a presença de gânglios aumentados no pescoço.

Atualmente o tratamento do câncer de laringe tem na cirurgia e na radioterapia as principais formas de tratamento. A escolha do tratamento é uma decisão conjunta entre o médico e o paciente, sendo importantíssimo o bom entendimento do custo x benefício de cada opção terapêutica. Por exemplo, a cirurgia está contra-indicada em pacientes com doenças severas que impeçam o procedimento; por outro lado, a radioterapia apresenta restrições relativas para pacientes com dificuldade de mobilidade (em média são 35 sessões, uma vez ao dia, cinco dias da semana, por sete semanas) ou para pacientes claustrofóbicos.

Quando falamos sobre o tratamento do câncer de laringe, é importante entender o conceito da “margem tumoral”. Diferentemente das lesões benignas da laringe como os nódulos, os pólipos e os cistos intracordais, a lesão cancerígena pode apresentar extensão microscópica para as estruturas adjacentes, ou seja, muitas vezes podemos estar nos deparando apenas com a ponta do iceberg. Por isso, nos tumores avançados, a cirurgia necessita de um acesso externo no pescoço para que se garanta as margens cirúrgicas. Esse mesmo conceito pode ser aplicado para a radioterapia: com uma lesão tumoral maior, o campo de irradiação é maior também! Fica assim fácil entender, o porquê de alterações na fala, nos dentes, na alimentação e na respiração após o tratamento dos tumores maiores e a importância do diagnóstico precoce para diminuir as possibilidades de um tratamento com sequelas físicas e psicossociais.

Tumor maligno de seio piriforme direito

Tumor glótico com extensão subglótica

Tumor maligno de seio piriforme direito

Tumor maligno de seio piriforme direito

Fatores de Risco para o Câncer de laringe

Aproximadamente 90% dos casos tem relação com o tabagismo ou álcool – Tabagismo: risco 14,3 vezes maior – Álcool: risco 5 vezes maior – Tabagismo e álcool: risco 100 vezes maior câncer de laringe na glote é a rouquidão persistente e sem causa aparente. Esta rouquidão é diferente daquela causada pelo resfriado comum ou da gripe e diferente também daquela causada após um esforço vocal: a rouquidão é persistente e progressiva (piora com o tempo) e não é acompanhada de sintomas como febre e coriza (corrimento nasal). Por outro lado, o câncer da laringe supraglótica manifesta-se com sintomas como dor de garganta, dor ao engolir ou a sensação de alguma coisa parada na garganta.